O QUE SABER, O QUE FAZER

Na Revista Espaço Acadêmico nº 18 de novembro de 2002, o professor HENRIQUE RATTNER, apresenta uma linha de reflexão muito importante no contexto da educação:

“Saber e fazer constituem duas dimensões complementares e interdependentes que permeiam todas as nossas atividades. Postulamos a busca contínua de conhecimentos e sua tradução em ações construtivas, sempre ancoradas na compaixão, na ética da responsabilidade e do compromisso com o bem-estar coletivo e a justiça social.

O “saber” abrange o estudo e debates dos grandes temas da sociedade contemporânea, para os quais o conhecimento da História é fundamental para transmitir e refletir a dinâmica da criação e recriação permanentes da cultura e seus impactos na formação da personalidade dos membros da sociedade.

Não basta pesquisar e construir teorias para induzir ações transformadoras. Os eventuais resultados terão que ser combinados com um aprendizado social que incorpore elementos de ação coletiva, experimentação social e políticas públicas inovadoras. Os projetos serão estendidos a todos os grupos sociais a fim de melhor compreender como eles elaboram a construção de conhecimentos e valores nas práticas sociais. Outro componente importante será a avaliação das respostas do poder público às pressões crescentes por participação democrática e a demanda universal pelos direitos da cidadania.

A ênfase no conhecimento e na ação coletivos deve imprimir os rumos dos programas de inclusão social. Ultrapassando o ensino e os estudos fragmentados e setorizados, propomos uma abordagem lastrada no pensamento sistêmico mediante equipes interdisciplinares e o diálogo com os profissionais de outras áreas que devem habilitar os participantes de nossos programas para a atuação em conselhos, fóruns, grupos de trabalho, parcerias, enfim, em todas as formas de organização social com potencial de mobilizar e motivar a população a assumir suas responsabilidades.”
Em termos concretos, RATTNER, H. (2002) propõe ainda:
• ampliar e fortalecer os canais de participação social, apostando no contínuo esforço dos excluídos para prosseguir na construção de uma sociedade que reconheça seu direito a ter direitos – os direitos humanos em toda sua plenitude – civis, políticos e sociais;
• investir fortemente na qualificação e emancipação dos movimentos sociais, ONGs e de outros setores da sociedade civil para que desenvolvam ações propositivas e capazes de fazê-los participar eficazmente de negociações e deliberações;

• qualificar agentes governamentais, em todos os níveis, a fim de transmitir e fortalecer neles uma cultura democrática, participativa e solidária;
• capacitar lideranças para implementar políticas inovadoras quanto à melhoria das condições de vida de toda a população e à democratização dos processos de trabalho e de gestão;
• inspirar e potencializar ações políticas institucionais em todos os setores da sociedade, para difundir práticas democráticas ampliadoras da cidadania.

“Importante se faça acreditar que a tarefa será árdua, porém, não será impossível, se juntos acreditarmos, em reconstruir a educação formadora e informante dos avanços da “modernidade” rumo a uma sociedade solidária e bem educada.
Os problemas serão coisas do passado. As incertezas passarão a fazer parte de lendas abstratas do saber da humanidade. O compartilhar será o contexto gerenciado pelo saber construtivo da certeza, assim com certeza nesta era de incertezas, se dissiparão as dúvidas, conquistando um novo e educado “sentido da vida”. ”

Prof Edilberto A Gasparetto

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARNOY, Martin. Educação, economia e estado: base e superestrutura relações e mediações. 4ª ed. São Paulo, Cortez, 1990.

FRIGOTTO, G. Trabalho e educação face a crise